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As
Quatro Fases
Autor: *Douglas Fakkema, publicado na revista Animal
Sheltering de Abril de 2001.
Tradução: Janaína Brasílio
Fakkema escreveu na esperança de ajudar seus colegas
acelerarem seus próprios progressos em direção a uma vida
mais tranqüila e produtiva. Nós que trabalhamos em prol dos
animais, dedicamos nossas vidas a eles, passamos por estas
quatro fases na evolução de nossa carreira.
Cada um tem sua história, mas todos passamos por um processo
similar. Se sobrevivermos ao processo, conseguiremos
perceber o que já atingimos e o que queremos em primeiro
lugar.
Fase 1
Determinados, estamos decididos a mudar o mundo. Sabemos que
podemos fazer diferença, que nossos esforços em favor aos
animais vão aliviar suas difíceis condições. Trabalhamos o
que parecem ser 25 horas por dia e ainda assim estamos com
energia. Nossos entusiasmo ultrapassa os limites, nossa
capacidade de aceitar desafios é infinita!!
Comemos, dormimos e vivemos para a causa animal. Nossos
amigos não entendem nossa obsessão e afastam-se ou
simplesmente vão embora, ou nós os abandonamos, pois
encontramos novos amigos. Alguns, contudo, não fazem novos
amigos, estão muito ocupados trabalhando na causa animal.
Alguns de nós nos tornamos solitários, apenas a companhia de
nossos cães e gatos nos separam do total isolamento. Todavia
estamos satisfeitos porque trabalhamos para uma causa. Em
nosso entusiasmo tentamos encontrar soluções simples para
problemas complexos - Todos os animais devem ser castrados -
Nenhum animal deve ser sacrificado!
Estamos sempre atrasados porque tentamos resgatar animais de
estradas e ruas. Achamos que entendemos o problema e sabemos
que podemos solucioná-lo se as pessoas saíssem de nossos
caminhos.
Fase 2
Nosso entusiasmo inicial tornou-se amargo. Vemos as mesmas
pessoas abandonando animais. Elas não ouviram nossa
mensagem. Até mesmo nossos amigos (aqueles que ainda não nos
abandonaram) não nos compreendem. Parece que não conseguimos
atingir ninguém.
Os animais ainda são maltratados e negligenciados. O
sofrimento dos animais continua apesar de todos os nossos
esforços. Perdemos a energia sem fim que tínhamos na fase 1.
Não queremos mais falar sobre o trabalho, e nem mesmo
admitimos onde trabalhamos. Estamos cansados todo o tempo.
Parece que passamos o dia todo na luta em prol aos animais.
Quando chegamos em casa fechamos as portas, desligamos a
secretária eletrônica e fechamos as persianas. Estamos muito
exaustos para cozinhar, partimos para o fast food, pizza,
batatas fritas ou chocolates.
Alguns de nós compramos objetos desnecessários que nem ao
menos podemos pagar. Alguns partem para o alcoolismo para
tentar afastar o sentimento de desesperança.
Ignoramos nossa família, e até mesmo nossos próprios animais
não têm a atenção devida. Parece até que não temos planos
para por em ação nenhuma das mudanças que nos impulsionaram
na fase 1. Ficamos horrorizados com o trabalho que fazemos.
Até mesmo nossos sonhos são repletos de horrores. Cada
animal que resgatamos e sacrificamos são um lembrete de
nosso fracasso. De alguma forma nos culpamos por todo este
insucesso. Isto nos destrói!
Nosso escudo de defesa torna-se cada vez mais alto,
bloqueando a dor e a tristeza. Apenas ele faz nossas vidas
de alguma forma mais toleráveis. Apenas continuamos porque
dentro de nós ainda resta uma fagulha da fogueira de energia
da fase 1.
Fase 3
A depressão da fase 2 transformou-se em raiva. Estamos
enlouquecidos de raiva. A desesperança chegou ao limite!
Começamos a odiar as pessoas. Toda e qualquer pessoa, com
exceção daqueles que dedicam suas vidas em prol aos animais
da mesma forma que nós fazemos.
Odiamos até mesmo nossos companheiros de causa quando ousam
nos questionar. Especialmente sobre sacrificar animais. Nos
ocorre: Vamos sacrificar os proprietários, não os animais!
Vamos sacrificar aqueles que maltratam e abusam dos animais
ao invés deles!
Nossa fúria expande-se para nossa vida particular. Para o
cara em nossa frente no trânsito. Aquele que está em nosso
caminho na rua. Pensamos: Vamos sacrificá-los também!.
Odiamos políticos, TV’s, jornais, nossa família. Todos são
alvos de nossa fúria, desprezo e ódio. Perdemos nossa
perspicácia e eficiência.
Não conseguimos nos reconectar com a vida. Até mesmo os
animais que acolhemos parecem de certa forma distantes e
irreais. A raiva é a única ponte para nossa caridade. É o
único sentimento que penetra em nosso escudo.
Fase 4
Eu sei que estive em todas as fases em meus trinta anos de
proteção animal e a fase 4 é, de longe, o melhor ponto a se
atingir. Algumas pessoas estacionam na fase 1 (fanáticos) ou
2 (depressivos) ou 3 (irados). Alguns voltam da 4 para a 2 e
a 3, ou ainda, da 4 para 3 ou da 4 para a 2.
Alguns abandonam o trabalho voluntário durante as fases 2 e
3 e nunca mais voltam. Alguns conseguem passar para a fase 4
rapidamente, enquanto outros levam anos. Alguns nunca
atingem a paz que os permite seguir servindo ao trabalho
voluntário. Eles atuam a vida inteira no frenesi da fase 1
ou estacionam definitivamente deprimidos ou raivosos.
Com o tempo, a depressão da fase 2 e a raiva da fase 3 podem
tornar-se renovadas através de uma nova determinação e
compreensão de qual é realmente nossa missão. Esta é a fase
4. Percebemos que trabalhamos efetivamente localmente e em
alguns casos regionalmente, ou até mesmo nacionalmente. Não
resolvemos o problema (quem poderia?) mas fazemos uma grande
diferença para dúzias, centenas e até milhares de animais.
Mudamos a visão daqueles que nos rodeiam a respeito de
proteção aos animais. começamos a compreender qual é o papel
mais adequado para nós na sociedade, e começamos a perceber
que somos mais eficazes quando balanceamos nossa vida
pessoal e vida de voluntário. Compreendemos que o
voluntariado não deve preencher todo o nosso universo. Se
dermos a devida atenção também a nossas vidas, podemos ser
mais eficientes no voluntariado em prol aos animais.
Férias e Finais de Semana devem ser curtidos! Ao voltarmos
estamos renovados e prontos para encarar os desafios
diários. Vemos que as pessoas não são tão más. Percebemos
que a ignorância é natural e na maioria dos casos é curável.
Sim, existem pessoas realmente más que abusam e negligenciam
os animais, mas são minoria. Não os odiamos.
Reconhecemos que as soluções são tão complexas quanto os
problemas e trazemos um grande número de ferramentas para
solucionarmos esses problemas. Nossos escudos se abaixam.
Aceitamos que tristeza e dor são parte de nosso trabalho.
Damos um pequeno passo por vez.
Paramos de mascarar nossos problemas com drogas, comida ou
isolamento. Enfim reconhecemos nosso potencial para ajudar
os animais. Estamos mudando o mundo.
*Doug Fakkema conduz palestras sobre métodos de eutanásia
para animais nos Estados Unidos. Atuou como diretor dos
abrigos de Oregon e California por 19 anos.
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