O Vira-Latas
(Paulo de La Peña)

Não tem nome. Não tem raça.

Perambula em rua e praça.
Tudo bebe, tudo come.
Tudo mexe, tudo cata.

É apenas vira-lata.

Não tem trato nem coleira
Seu pescoço é livre e solto.
Toma banho só de chuva
Seu pêlo é como luva,
Vestindo a vida inteira.

Na “sociedade” canina
É maioria absoluta.
Está presente em todo canto
Latindo sem espanto.
Pela vida sempre luta
Virando lata na esquina
Pois esta é sua sina.

Vira-latas da cidade
Não vai ao veterinário
A rua é o seu cenário,
Como casa de verdade,
A pública moradia
Habitada noite e dia.

Tem parentes
Diferentes
Morando no conforto
Mas vive solto e sujo
Prefere ser como o marujo

Sempre livre em cada porto
Amigo de toda gente

Como diz a tradição
Habita o “mundo cão”
Pois é cachorro que sente
Que a vida é competição!

Do homem, melhor amigo
No mundo, mero animal
Sem destino
Sem abrigo
Não sente como castigo
Abandono ou desatino
O fato de não ter dono,
Que o proteja de todo mal

Cão vadio
Indesejado
Arredio,
Maltratado.

Mas como todos da espécie viva
É cria do mesmo Deus!
Vira-latas de batismo
Vivendo do otimismo
Fugindo do comodismo

Não tem nome, não tem raça
Chega antes do gari
Não sabe o que é “pedigree”
Simplesmente Vira-latas
Tudo mexe, tudo cata!
Animal de estimação


Do anônimo povão!

 

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