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O
menino-cão
(Claudia Schmidt)
Horácio é um garoto de 10 anos, que ganhou no último
aniversário um cãozinho chamado Cafuné.
Outro dia, algo diferente aconteceu: Horácio acordou na
casinha de Cafuné, mas não se lembrava de ter ido até lá.
Logo reparou que a casinha precisava de uma boa limpeza,
coisa que Cafuné não sabia fazer. O cão não estava, e também
não havia água limpa para beber.
Quando o menino tentou sair da casa, percebeu que ele,
Horácio, era Cafuné. Assustou-se e foi pedir ajuda à mãe.
Dona Eunice mandou que o cão fosse brincar lá fora.
Confuso, o menino-cão foi se deitar à sombra. Percebeu,
então, que ele pensava como um garoto, mas as outras pessoas
achavam que ele era Cafuné, seu cão. Achou seu corpo um
pouco estranho: precisava de um banho e, além disso, havia
alguns sinais estranhos, parecidos com cicatrizes. Do que
seriam? Veio então à sua mente a lembrança de um dia em que
estava brincando com Cafuné e seu pai mandou que parasse,
pois estava machucando o animal. Deve ter doído bastante.
Como ele havia sido ruim com seu companheiro de
brincadeiras... Seria mais cuidadoso da próxima vez. Haveria
uma outra chance?
De repente, Horácio sentiu uma forte coceira. Pulgas! Ele
estava cheio de pulgas! Logo se lembrou que havia muito
tempo não levava Cafuné ao veterinário. Ultimamente o garoto
tinha andado muito ocupado, e havia esquecido de prestar os
cuidados que um bichinho de estimação merece, incluindo
brincadeiras, banho, água fresca, comida, carinho e atenção.
Triste e preocupado, o garoto ouviu sua mãe gritar:
- Horácio! Ao sair correndo, o menino-cão tropeçou em uma
pedra e... acordou em sua cama, com Cafuné lambendo suas
pernas.
Perto dali, o espírito protetor de Horácio sorriu, com a
certeza do dever cumprido, pois o menino havia aprendido a
lição.
Fonte: Jornal "Seara Espírita" - Santo Ângelo-RS.
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